Ou a minha primeira Primavera em Paris!
Não me arrependi, a cidade está linda, como se estivesse vestida para brilhar, sol todos os dias, colorida nos canteiros e um céu azul incrível, sem nuvens de fazer chuva, muito comuns no outono/inverno, coisa que já presenciei muitas vezes.
Pela sexta vez em Paris, posso dizer: já senti bastante o tempo molhado daqui. Mas não posso, e não quero lamentar pelas outras visitas, porque não teria base alguma, uma vez que nem o clima ruim me impediu de curtir muito esta fantástica cidade. Minha filha tinha cinco anos quando veio a Paris pela primeira vez, descemos do metrô no Trocadero, e a vista da torre Eiffel dali é de tirar o fôlego. Então, mesmo com a pouca idade ela chorou de emoção. Foi incrível!
Ninguém sabe explicar exatamente como isto ocorre, porque de belas cidades e construções lendárias a Europa está cheia, além de o mundo todo estar também repleto de fantásticas paisagens, mas a verdade é que Paris é a eleita por todos, é a queridinha dos turistas!
Talvez, uma das explicações: Paris é especial, singular, as pessoas gostam disto, então ela corre sozinha me parece, no ranking do charme, do carisma, estas são as palavras mais adequadas que me vem a cabeça agora, como se diz a respeito de certas pessoas que nos impressionam muito. O antigo e o novo se misturam muito bem, vejo isto em cada setor da cidade que escolho. Ando muito, a pé, sempre passa de três, quatro horas, ou mais até, mas não canso nunca. Desde a minha primeira vez, conheci Paris a pé, sem força de expressão, toda ela by foot, como diriam os norte-americanos. Mas, também devo lembrar-lhes que esta é uma pequena metrópole : aproximadamente 105 km² .
É bem verdade que são conservadores os franceses, como todos os europeus de resto. Estão servindo os mesmos croissants, os mesmos baguetes de antes, desde que vim há mais de vinte anos. Não mexeram no layout de nem uma ruela, das que eu já conhecia, na parte que se pode chamar de miolo do que já é patrimônio histórico e cultural da humanidade. Embora não deixem a modernização de lado, achei a cidade mais organizada, ou mais civilizada tenho a impressão, pelo trânsito razoavelmente calmo, se comparado pelo menos com as nossas metrópoles brasileiras. Bons equipamentos para segurança também desfrutam os franceses, por todos os lados se vê isto, e há nas lojas tudo que existe de melhor no mundo em avançada tecnologia para comprar.
Explica-se também o interesse das pessoas, eu acho, por um ponto bem especial daqui: os cuidados gastronômicos são eternos, para fazer jus a sua fama de sempre, como berço da gastronomia mundial. Comer bem é um prazer dos humanos e a França quer continuar assim, é fácil constatar. Por aqui, em qualquer esquina, dá para dizer que a comida tem o capricho de quem escolhe muito e come pouco, em termos de quantidade. Gostam é da variedade, do ritual de comer um simples pãozinho, um café, acompanhado dos amanteigados franceses inigualáveis, e, também dos famosos macarrons, para nós são uma certa novidade, mas já vieram do tempo do império. A maioria dos franceses tende a ser magro, apesar de terem suas boulangeries , ou padarias, mais de uma até, em cada rua ou quarteirão, cheirosas, a ponto de seu nariz avisar : "resista se for capaz"!
Interessante..., é uma dieta baseada em pão, queijos, patês e embutidos em geral, muito vinho, porque todos sabem, é mais barato que água, além de muito chocolate nos doces ... mas, isto tudo não engorda? É ver para crer! Só por isto já seria o caso todas as mulheres mudarem para cá, não? Mas também tem a Moda em Paris, os perfumes , os museus ... e por aí vai...
De qualquer forma, o charme e o bom gosto, mesmo em grande quantidade e qualidade, não resistem as crises. Só em 2008, Paris sofreu queda de 2,6% no número de turistas que a visitaram. Claro que a Europa toda caiu neste quesito e, em 2009, os recentes números da World Tourism Organization –UNWTO, braço da ONU, responsável pelos dados mais confiáveis em turismo do mundo, revelaram coisa pior: o turismo internacional caiu como um todo, com exceção apenas da África, sendo que no continente europeu a queda foi de 6%. Ficou assim o panorama do ano de 2009:
· Europa terminou 2009 com queda de 6% , depois de um 1ºsemestre bem complicado (- 10% !) As causas são sabidas:crise econômica forte mais os problemas da nova gripe A(H1N1) · Ásia e Pacífico declinaram cerca de 2%, sendo que no primeiro semestre o número era de menos 7% , com melhorias no segundo semestre (+3%) devido a recuperação econômica já em curso .
. Nas Américas a queda foi de - 5%, aparentemente causada por conseqüências também da forte crise européia.
. Oriente Medio , (- 6%), mas teve uma segunda metade de 2009 positiva.
. África , única exceção, aparece com +5%.
(Fonte: http://www.unwto.org/media/news/en/press_det.php?id=5361)
Todavia, atento ficou o governo Francês para não perder um terreno duramente conquistado. Desenvolveu políticas para os turistas terem muitas atrações e as recém-inauguradas são em quantidade significativa.
Recentemente, Paris vinha perdendo seu trono de cidade mais visitada do mundo para a não menos carismática Londres, título que ostentava há décadas. Aparentemente, e isto foi objeto de estudo, porque os jovens preferem a badalação noturna de lá, além da parte cultural londrina bem forte, na qual os britânicos se consideram imbatíveis. Então, foi preciso inventar e reinventar, melhorar por aqui aquilo que os jovens mais buscam: novidades. Hoje Paris está repleta de atrações diurnas, e muitas noturnas também , visando os gostos e gastos da moçada , e a cidade está bem mais animada: muitos bares com música ao vivo de todos os tipos e para todas as tribos, além de alguns famosos clubes, para dançar pela madrugada avante, quem quiser. DJs famosos andam pela cidade, itinerantes, em diversos bares, pubs e etcs. São muito diferentes dos shows dos famosos cabarets, tipo Moulin Rouge e Lido, antes considerados picantes, e hoje inocentes até, eu diria, mas que não deixam de atrair pela beleza das mulheres e seus cenários luxuosos, são coisas que os turistas ainda adoram. É uma marca de Paris, eternizada pela procura também eterna de se assistir só ao belo e o alegre. Ou seja, a modernização em todos os sentidos, foi imperativa para mover para frente uma cidade que estava tranqüila no podium, com o troféu principal em suas mãos.
Como sugestão, para quem vai para a balada em Paris, antes de sair de casa, dê uma olhada no: http://spectacles.premiere.fr/pariscope/theatre. Lá tem de tudo, teatro, espetáculos de música e dança, óperas, e... muito mais.Também, no Figaroscope, http://scope.lefigaro.fr/guide/, é possível ver tudo em bares, restaurantes e afins, da melhor qualidade e até um concurso dos melhores club sandwichs da cidade , uma invenção tipicamente francesa!
É fato, de alguma forma, ainda nos sentimos muito atraídos pelo passado desta bela cidade, a forma com que a conservam no presente e, por mais estranho que possa soar isto, digo que eles sabem como receber bem seus muitos, e ecléticos, admiradores! Há alguns bons anos, quando a conheci, o turista era mais sofrido sim, quase maltratado, eu diria, mas o dinheiro que o setor arrecada sempre vence e a França só fez o certo, resolveu assumir com mais humildade sua verdadeira vocação econômica: o turismo, desenvolvido em grande escala.
Adaptou-se, então: treinou seus hospedeiros para tratar com mais doçura seus visitantes, o verbo está correto: ”treinou"! Deu certo. Paris oferece hoje uma diversidade e um conforto inigualável que vem da mistura de raças e credos de turistas do mundo inteiro, o que nos deixa com certa sensação de liberdade para fazer o que quisermos. Neste ponto, penso que há um empate com New York, outra cidade onde nos sentimos em grande liberdade, mesmo sendo um simples turista.
A verdade é que turista erra muito, ficamos perdidos no metrô, quando se aprende direito as linhas e as paradas está no dia de ir embora, nos enganamos de ruas, erramos no vinho..., mas os franceses tem nos aturado bravamente! Deve ser a crise !
Mas, não são falsos os franceses, por vezes mostram claramente seu incomodo de ter a sua própria cidade invadida por estranhos, e isto o ano inteiro, aos milhares! Cerca de 50% da população da cidade não é feita de moradores fixos , mas de visitantes! Cá entre nós..., deve ser “um saco”! Só para subir a torre Eiffel, onde trabalham 280 pessoas, estima-se que sejam 7 milhões de visitantes anuais e, ultimamente, a fila ultrapassa 2 horas nas estações boas do ano. Só perde em público atualmente para a EuroDisney, mas isto é outra história para contar.Porém vejo que eles aprenderam a respeitar os desejos, até absurdos às vezes, de turistas oriundos do mundo todo, com os hábitos muito estranhos ao povo da própria terra.
Paris, portanto, é hoje, e sempre foi na minha pequena opinião, a melhor capital da Europa, no rol de algumas que conheço, e falando em linguagem turística, é claro!
Hoje posso dizer: dá para se sentir em casa em Paris! Ou melhor, quase... porque ainda me falta conseguir falar a língua francesa. Mas, já digo algumas coisas: a toda hora uso com perfeição: au revoir, bom jour, merci, pardon,... e muitas outras! Brinco assim porque prometo, para mim mesma, todas as vezes quando a viagem acaba: vou estudar para aumentar meu repertório, mas depois largo para lá, porque demoro em vir outra vez, infelizmente. O inglês, como segunda língua de ambos, minha e deles , sempre salva.
Só para encerrar, parece que desta vez o meu lugar de ficar, na hospedagem eu digo, tive mais sorte ou acertei melhor na escolha. Motivo principal: no final da minha rua...lá esta ela! Qualquer pequena caminhada... e lá está ela: majestosa, como uma madame bem sucedida na vida. Aliás, mais do que um ponto turistico , ela é um símbolo:... sim, ela mesma, a Eiffel! Este é o principal marco do 7º arrondissement, um dos “bairros” de Paris, em tradução nada literal. Bem, mas vou parar por aqui. O mais fica para uma próxima postagem, pois os leitores podem se cansar muito além do desejável, para um assunto tão ameno. Prometo falar com cuidado, da hospedagem em Paris, para contribuir, animar mesmo, a sua próxima viagem ! Merci, Au revoir !
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